as fotos de
joão
não
são
um registro do espetáculo BENÇA
são um discurso autônomo, sobre os mesmos temas
O TEMPO
A MEMÓRIA
OS ANCESTRAIS
A MORTE
reconheço nas fotos o espetáculo que criei
para comemorar os 20 anos do bando de teatro olodum
reconheço o bando
reconheço seus atores
o cenário/instalação as cores o tom
mas joão cria sua própria poética
a partir das imagens da peça
como se o movimento lento dos atores
tivesse ficado mais lento
tão lento que parecem estar parados
mas ainda se movem nas fotos
sob outra regência
É como se o tempo tivesse aberto os olhos do fotógrafo
e o obturador de suas lentes
para podermos perceber imagens que o tempo do espetáculo
nos impediu de ver
o tempo não pode ser vencido nunca
É inexorável
mas quem sabe escolhe estar do seu lado
e ele se deixa deter em poesia
joão vem reconstruindo o mundo a partir do palco
em novas imagens
geradas na mutação da geografia dos corpos dos atores
e de suas relações com o espaço e o outro ator
em novas geografias bidimencionais
como um mapa
que vai ajudar a nos movermos
no terreno desconhecido em que vamos pisar
só para mirar os mistérios da memória e da morte
para mirar a passagem do tempo que não passa
que é o mesmo e outro
para mirar o que guardamos e o que não vale a pena guardar
o olho de joão guarda o que vale a pena guardar
e mostrar
marcio meirelles
salvador, 23/01/2011